Escrito por em 01/07/2019

Você sabe quais são os chás mais doces naturalmente? Pois é, nem todo chá precisa ser adoçado e alguns deles podem ser saboreados ao natural, como acontece com a infusão feita com erva-doce, por exemplo.

Isso acontece porque algumas ervas possuem em sua composição substâncias que dão o sabor adocicado, principalmente as derivadas da glicose e alguns tipos de compostos aromáticos.

A vantagem em consumir essas bebidas não está apenas em diminuir o consumo diário de açúcares, uma vez que não precisa adoçá-las.

Isso significa dizer que essas infusões também possuem diversos benefícios para o organismo, como a melhora da digestão, alívio das cólicas e diminuição da compulsão por comer coisas açucaradas.

Ficou curioso (a) para descobrir quais são esses chás? Então, continue lendo esse artigo, pois você vai descobrir quatro chás super doces, os benefícios deles e ainda como preparar as infusões corretamente. Confira!

4 chás mais doces naturalmente

1. Erva-doce

O chá da Pimpinella anisum é bastante conhecido pelo seu sabor suave e adocicado, motivo pelo qual a erva é conhecida popularmente por erva-doce.

Chá de sementes de erva-doce

Como o próprio nome já sugere, o chá de erva-doce possui um sabor adocicado (Foto: depositphotos)

Essa característica deriva da presença dos glicosídeos fenólicos, substâncias naturais formadas por glicose que é um dos compostos do açúcar, que dão o sabor e aroma característicos da erva. (1)

A infusão bastante popular no Brasil é utilizada principalmente para melhorar a digestão e diminuir os incômodos causados pelos gases e cólicas abdominais.

Além disso, o chá de erva-doce também atua como um calmante natural, ajudando a reduzir a ansiedade. Por isso, é um chá que pode ser dado às crianças pequenas (2).

Outro benefício é o de proporcionar uma redução natural dos níveis de açúcares no sangue. Isso porque, a bebida altera a forma como o nutriente é absorvido pelo organismo.

A erva também é conhecida por proteger o corpo contra o estresse oxidativo das células. Esse benefício é derivado das substâncias antioxidantes presentes na planta que conseguem inibir a ação dos radicais livres.

Combater infecções é outro efeito positivo da erva-doce. Com isso, a planta impede gripes e resfriados, pois tem propriedades antivirais, antifúngicas e antibacterianas.

Por fim, a infusão feita com a erva-doce já é uma antiga conhecida das mamães, pois ajuda na produção do leite materno.

No entanto, grávidas devem evitar o consumo desse chá, pois a erva possui compostos fitoquímicos que relaxam a musculatura uterina e podem levar ao parto prematuro e até mesmo ao aborto, em alguns casos.

Pessoas que fazem uso de medicamentos para regular a glicemia também devem consumir a infusão com cuidado, pois ela pode potencializar os efeitos de alguns tipos de medicamentos.(1)

Confira como preparar a infusão!

Ingredientes:

  • 1 litro de água
  • 3 colheres (de sopa) de sementes de erva-doce.

Modo de preparo:

Leve a água ao fogo até que comece a ferver e desligue. Logo depois, acrescente a erva-doce, tampe e deixe a mistura em infusão por cinco minutos para extrair todos os benefícios dela.

Por fim, é só coar as sementes e consumir no máximo três xícaras por dia.

2. Camomila

Outro chá bastante doce é o de camomila. As flores da Matricaria recutita produzem um chá de sabor agradável, aromático e que não precisa ser adoçado artificialmente.

As flores da erva também possuem grandes quantidades dos glicosídeos, que são os principais responsáveis pelo sabor adocicado da infusão. (3)

Entre os inúmeros benefícios da infusão estão a sua capacidade de tratar inflamações e infecções, principalmente as que atingem a pele.

Isso acontece porque a erva é rica em substâncias que atuam como antibacterianas, anti-inflamatórias e antifúngicas, eliminando os causadores do problema.

Chá de camomila na xícara

O chá feito com as flores da camomila é calmante e ajuda a controlar a compulsão por doces (Foto: depositphotos)

Assim como a erva-doce, a camomila também é um ótimo digestivo e ajuda a aliviar a má digestão e os incômodos causados pela formação dos gases. Além de servir para aliviar as cólicas menstruais e dores musculares de maneira natural. (3)

Um estudo feito por pesquisadores de Taiwan e publicado em 2015 também indicou que o chá de camomila ajuda a melhorar a qualidade do sono e a reduzir os sintomas da depressão pós-parto. (4)

Todos esses benefícios vêm com poucas contraindicações. A principal é para as mulheres grávidas, que devem evitar o uso porque a erva pode relaxar a musculatura uterina e induzir ao parto precoce.

Pessoas com alergia ao pólen de flores, em especial o crisântemo, também podem ser alérgicas a camomila. Sendo assim, é importante prestar atenção aos sintomas e sempre consultar um médico após qualquer reação alérgica. (3)

Agora veja como preparar o chá!

Ingredientes:

  • 1 xícara de água filtrada
  • 1 colher (de sopa) camomila.

Modo de preparo:

Leve a água para ferver e quando começar a borbulhar desligue o fogo. Em seguida, acrescente a camomila e tampe, deixando em infusão por cerca de cinco minutos. Por fim, basta coar as flores e beber o chá no máximo duas vezes por dia.

3. Erva-cidreira

A erva-cidreira ou melissa, como é chamada em algumas regiões, também é uma planta com altas concentrações de glicosídeos. Isso faz com que ela entre na lista dos chás mais doces de forma natural.

A infusão preparada com essa planta é utilizada para diversos fins medicinais, devido aos benefícios que traz para o organismo como a melhora na digestão e a redução dos gases. Além disso, ela ainda combate infecções causadas por vírus, com é o caso de gripes e resfriados. (5)

Ela também é bastante indicada para aliviar o estresse e ansiedade, favorecendo ainda uma melhora na qualidade do sono até mesmo em crianças e em grávidas.

Xícara de chá de melissa

Grávidas podem consumir esse chá depois do terceiro mês de gestação (Foto: depositphotos)

Contudo, as gestantes só podem fazer uso dessa bebida a partir do quarto mês de gestação, onde são reduzidos os riscos de má formação e aborto espontâneo. (6)

É preciso também tomar alguns cuidados quando tomar a infusão, pois a melissa não pode ser consumida por pessoas que tenham alergias às plantas da mesma família, como a hortelã.

Além disso, por causa do efeito sedativo, o chá não pode ser tomado antes de dirigir ou de cirurgias, por interferir na anestesia. (7)

Depois de ver os benefícios desse chá doce, agora é hora de aprenda como prepará-lo!

Ingredientes:

  • 1 xícara de água filtrada
  • 8 folhas secas ou 1 colher (de sopa) das folhas de melissa.

Modo de preparo:

Ferva a água e com o fogo desligado acrescente a erva-cidreira. Deixe a bebida em infusão por cinco minutos. Depois, basta coar e tomar, sem precisar adicionar nenhum tipo de adoçante.

4. Hibisco

Outro tipo de infusão que é rica em glicosídeos e que por isso possui um sabor mais doce é o chá de hibisco.(8) As flores do Hibiscus sabdariffa, parte utilizada no preparo, produzem um chá de cor vermelha intensa e bastante aromático, que traz diversos benefícios para a saúde.

Entre os principais efeitos benéficos estão a redução do colesterol e do acúmulo de gordura nos órgãos, e o controle da pressão arterial. Todos esses problemas estão ligados ao aumento dos riscos de doenças cardiovasculares.

A infusão também é benéfica para os rins, pois possui ação diurética que aumenta a excreção de substâncias nocivas e diminui a retenção de líquidos. Além de proteger o cérebro, devido à ação das vitaminas B1 e B2, e auxiliar no processo de emagrecimento. (9)

Chá de hibisco no bule

Apesar de doce, o chá de hibisco é contraindicado para grávidas, lactantes e crianças (Foto: depositphotos)

Algumas pesquisas também indicam que o chá de hibisco ajuda a aliviar as dores e a reduzir os riscos de desenvolver alguns tipos de câncer, além de regular os níveis de glicose no organismo.

No entanto, o sabor doce não significa que qualquer pessoa pode tomar a erva e em grandes quantidades.

Por exemplo, o chá não deve ser oferecido para crianças, grávidas e mulheres que estejam amamentando, pois pode prejudicar o desenvolvimento do feto e da criança.

Além disso, ele tem o poder de potencializar os efeitos de alguns tipos de medicamentos, como os diuréticos e hipertensivos. Portanto, deve ser evitado por quem faz uso dos mesmos.(8)

Uma das vantagens do chá de hibisco é que pode ser consumido quente ou gelado. Veja a seguir como fazer!

Ingredientes:

  • 1 xícara de água filtrada
  • 1 colher (de chá) de flores secas de hibisco.

Modo de preparo:

Leve a água ao fogo e quando começar a borbulhar desligue. Em seguida, acrescente as flores de hibisco e tampe, deixando a bebida em infusão por cerca de cinco minutos.

Logo depois, basta coar e beber quente ou esperar esfriar e acrescentar gelo. Como a bebida é um dos chás mais doces você não precisa adoçar.

Esses chás inibem a vontade de comer doces?

Sim, esses chás podem ajudar a controlar a vontade de comer coisas doces. No caso da erva-doce e do hibisco isso acontece porque elas conseguem regular os níveis de açúcar no sangue.

Desse modo, o organismo não precisa ingerir excessos dos nutrientes, o que reduz a ingestão diária. (1,8)

Já a erva-cidreira, camomila e também a erva-doce são potentes calmantes e ansiolíticos naturais. Ou seja, elas reduzem a ansiedade e estresse, que são alguns dos principais fatores para a compulsão por comer coisas açucaradas.(2, 4, 6)

Por isso, sempre que sentir vontade de comer doces, experimente tomar uma xícara de um desses chás, mas sempre seguindo todos os cuidados e contraindicações.

Referências científicas

(1) SHOJAII, Asie; FARD, Mehri Abdollahi. “Review of Pharmacological Properties and Chemical Constituents of Pimpinella anisum“. International Scholarly Research Network, v.2012. Disponível em: doi:10.5402/2012/510795. Acesso em 25 de junho de 2019.

(2) SAMOJLIK, Isidora et al. “The influence of essential oil of aniseed (Pimpinella anisum, L.) on drug effects on the central nervous system“. Fitoterapia, v.83, p.1466-1473, 2012. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.fitote.2012.08.012. Acesso em 25 de junho de 2019.

(3) SRIVASTAVA, J. K., SHANKAR, E., GUPTA, S. “Chamomile: A herbal medicine of the past with bright future“. Molecular Medicine Reports, v.1, n.3, p.895-901, novembro de 2010. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21132119. Acesso em 25 de junho de 2019.

(4) CHANG, S. M., CHEN, C. H. “Effects of an intervention with drinking chamomile tea on sleep quality and depression in sleep disturbed postnatal women: a randomized controlled trial“. Journal of Advanced Nursing, v.72, n.2, p.306-315, janeiro de 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26483209. Acesso em 25 de junho de 2019.

(5) VERMA, Prawal Pratap et al. “Lemon balm (melissa officinalis L.) an herbal medicinal plant with broad therapeutic uses and cultivation practices: a review“. International Journal of Recent Advances in Multidisciplinary Research, v.2, n.11, p.928-933, novembro de 2015. Disponível em: https://www.ijramr.com/issue/lemon-balm-melissa-officinalis-l-herbal-medicinal-plant-broad-therapeutic-uses-and-cultivation. Acesso em 25 de junho de 2019.

(6) MÜLLER, S. F.; KLEMENT, S. “A combination of valerian and lemon balm is effective in the treatment of restlessness and dyssomnia in children“. Phytomedicine, v.13, p.383-387, 2006. Disponível em: 10.1016/j.phymed.2006.01.013. Acesso em 25 de junho de 2019.

(7) SHAKERI, Abolfazl; AMIRHOSSEIN, Sahebkar; JAVADI, Behjat. “Melissa officinalis L.– A review of its traditional uses, phytochemistry and pharmacology“. Journal of Ethnopharmacology, maio de 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.jep.2016.05.010. Acesso em 25 de junho de 2019.

(8) ALI, Badreldin H.; WABEL, Naser Al; BLUNDEN, Gerald. “Phytochemical, pharmacological and toxicological aspects of Hibiscus sabdariffa L.: a review“. Phytotherapy Research, v.19, n.5, p.369-375, agosto de 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1002/ptr.1628. Acesso em 25 de junho de 2019.

(9) UYEDA, Mari. “Hibisco e o processo de emagrecimento: uma revisão da literatura“. Unisepe, 2015. Disponível em: http://unifia.edu.br/revista_eletronica/revistas/saude_foco/artigos/ano2015/hibisco_emagrecimento.pdf. Acesso em: 25 de junho de 2019.

ATENÇÃO: Nosso conteúdo é apenas de caráter informativo. Todo procedimento deve ser acompanhado por um médico ou até mesmo ditado por este profissional.

Sobre o autor

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Jornalista com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio (Mtb-PE: 6770). Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.