Escrito por em 24/01/2019

O chá de canela de velho emagrece mesmo? Quais os benefícios que essa planta pode trazer para saúde? Como tomar corretamente? O Chá Benefícios irá mostrar todas as respostas para essas e outras perguntas neste artigo.

Canela de velho, quaresmeira-da-flor-branca ou pau de tucano são todos nomes populares da árvore conhecida no meio científico como Miconia albicans. Existem mais de mil espécies de plantas no gênero miconia, que pertence a família Melastomataceae, sendo que cerca de 160 dessas podem ser encontradas no Brasil.

Essa espécie é considerada uma vegetação secundária e pode ser encontrada no cerrado e na Mata Atlântica. Por isso, costuma ser encontrada com mais frequência em afloramentos rochosos ou nas formações costeiras.

Algumas das principais características da canela de velho são as flores brancas e os frutos rosados, que ficam com uma coloração verde quando maduros e servem como alimento para diversas espécies nativas de pássaros.

As árvores costumam crescer melhor sob o sol e podem alcançar de 70 centímetros a três metros de altura. Além disso, a canela de velho apresenta folhas ovaladas, que se mantêm durante todo o ano.(1)

Folhas e flores da canela de velho

Essa planta é encontrada no cerrado e na Mata Atlântica (Foto: Reprodução | UniCentro/ Emílio Ruiz)

Ela é muito utilizada como um potente medicamento natural anti-inflamatório, principalmente na região nordeste do país. Confira a seguir mais informações sobre os usos e os benefícios deste remédio natural.

O chá de canela de velho emagrece?

De acordo com a farmacêutica e especialista em plantas medicinais, Adriana Junqueira, não. A canela de velho não é uma planta que é utilizada com a finalidade de perder peso.

Ela informa que os efeitos observados em que consome o chá podem ser resultado das ações digestivas e de melhora da circulação que a planta traz. Com o ​sangue circulando melhor, órgãos funcionando melhor pois o sangue leva oxigênio e nutrientes para os órgãos, melhorando assim o funcionamento geral do organismo, destaca Junqueira.

Sendo assim, o resultado pode ser uma diminuição do inchaço causado pela má digestão ou problemas com a circulação. Por isso é sempre importante, e necessário, manter uma boa alimentação aliada a prática de exercícios físicos frequentes.

Benefícios encontrados na erva

De acordo com Adriana Junqueira a canela de velho é um medicamento natural com diversos benefícios para a saúde. O principal é decorrente da sua ação anti-inflamatória, o que faz com que o chá seja empregado com frequência no tratamento de doenças como artrite, artrose e até mesmo reumatismo.

Além disso, a canela de velho é composta por flavonoides e triterpenos, que são os responsáveis por boa parte das propriedades medicinais da planta. Confira todos os benefícios que são encontrados na canela de velho.

  • É anti-inflamatória
  • Antioxidante
  • Analgésica
  • Antibacteriana
  • Antimutagênica e antitumoral
  • Hepatoprotetora

É anti-inflamatória

De acordo com Junqueira, esse é o benefício mais conhecido e aplicado da canela de velho. Isso se deve principalmente ao fato dela ser composta por flavonoides e triterpenos. Principalmente os ácidos oleanólico e ursólico.(2)

Isso faz com que ela seja indicada para o tratamento de enfermidades inflamatórias como a artrose e reumatismo.

Além disso, em alguns estudos o extrato da erva ajudou a reduzir o inchaço causado por lesões feitas em ratos, quando aplicado externamente na forma de compressas e melhorou o tempo de cicatrização das feridas.(3)

Antioxidante

Junqueira também destaca o grande valor antioxidante das folhas da canela de velho. Sendo assim, os compostos presentes na planta são os principais responsáveis por combater os radicais livres que, em excesso, podem causar o envelhecimento precoce, a queda do sistema imunológico e diversas doenças oportunistas.

Alguns estudos sobre o potencial medicinal da árvore identificaram que essa ação é derivada dos altos níveis de substâncias chamadas de fenóis totais que estão presentes nas folhas.(2)

Analgésica

Os triterpenos também são responsáveis pelo efeito analgésico da planta, informa Junqueira. Por causa disso ela indica o uso do chá para proporcionar uma melhora em dores de coluna, tendinite, bursite, que é uma inflamação no líquido que protege as articulações e pode causar intensas dores, e também para casos de fibromialgia.

As folhas da erva também são usadas para tratar desde dores musculares até problemas mais sérios como a artrite e o reumatismo.(4)

Veja também: Como fazer o chá de canela de velho?

Antibacteriana

O chá de canela de velho também é antibacteriano. Um estudo mostrou que o extrato das folhas da planta inibiram a proliferação de diversos tipos de bactérias prejudiciais a saúde. Inclusive da salmonella, que causa infecções intestinais.(5) Este é outro motivo pelo qual o chá ou extrato da erva pode ser usado em lesões na pele.

Antimutagênica e antitumoral

Outro benefício indicado pela especialista em plantas medicinais é o de que nas folhas da canela de velho existem substâncias que atuam como antimutagênicas e antitumorais.

Ou seja, os compostos fitoquímicos têm a capacidade de evitar a mutação de células normais, impedindo que elas possam progredir para células cancerígenas. Além disso, ela atua nas células tumorais impedindo a proliferação e que elas se espalhem pelo resto do corpo.

No entanto, é preciso se atentar que os estudos a respeito dessas propriedades ainda são poucos. Portanto, não é indicado abandonar tratamentos convencionais para câncer e outras enfermidades, sem a consulta prévia com um médico especializado.

Hepatoprotetora

Por fim, Junqueira destaca a capacidade da canela de velho de proteger o fígado. Sendo assim, ela ajuda a proteger o fígado de lesões causadas pela ingestão de substâncias tóxicas ou gordura em excesso.

Árvore da canela de velha

A árvore dessa espécie pode alcançar os três metros de altura (Foto: Reprodução | UniCentro/ Emílio Ruiz)

Como preparar e consumir o chá

A forma de consumo mais comum da canela de velho é o chá, que é feito com as folhas secas. Por isso a farmacêutica Juliana Junqueira destaca qual é a melhor maneira de preparar o chá de canela de velho, de maneira que todas as substâncias benéficas sejam extraídas e absorvidas pelo organismo.

Ingredientes

Em primeiro lugar é necessário ter em mãos as folhas secas, já que é mais fácil de extrair os compostos benefícios da erva. Para o preparo você irá precisar de 1 colher (de sopa) das folhas, o que seria equivalente a 15 unidades e 1 litro de água.

Modo de preparo

Para preparar, basta levar a água ao fogo até levantar fervura. Logo depois adicione as folhas de canela de velho e deixe ferver por cerca de 30 segundos. Em seguida, desligue o fogo e deixe a infusão descansando, tampada, por 15 a 20 minutos.

Como consumir

Antes de consumir é necessário coar todo o chá, que deve ser bebido até três vezes ao dia. Sempre morno ou gelado, preferencialmente após as refeições por conta do seu efeito digestivo.

Para tratar ferimentos externos, Junqueira indica aplicar o chá ainda morno, com uma compressa no local afetado por alguns minutos.

Uma orientação importante é que o chá não deve ser deixado por mais de 24 horas na geladeira, já que existe o risco de contaminação com outros produtos. Dessa forma, ele deve ser preparado todos os dias.

Outra forma de consumo é através do extrato, que é manipulado e tem os princípios ativos mais concentrados. Por isso, Junqueira afirma que eles são extremamente eficazes e uma ótima alternativa para quem não encontra a planta ou não consome chás.

Veja também: Para que serve o chá de canela de velho: 7 usos medicinais

Contraindicação

Segundo a especialista em plantas medicinais, não há nenhuma contraindicação para o consumo da canela de velho. No entanto, ela destaca que não é porque um medicamento é natural que ele pode ser consumido em grandes quantidades sem fazer algum mal ao organismo.

Por isso o uso de qualquer planta deve ser cauteloso e não deve ultrapassar 30 dias consecutivos de uso, com prazo de 30 para descanso e depois recomeçar o uso por mais 30 dias, destaca ela. Esse processo deve ser feito por 3 vezes consecutivas e depois descansar no mínimo 3 meses.

A exceção é se um médico estiver acompanhando o uso dele. Principalmente se o paciente estiver fazendo uso de outro medicamento, pois pode acontecer interação medicamentosa, que é quando um medicamento interfere na ação do outro. Além disso,plantas medicinais devem ser tratadas como qualquer outro medicamento e consumidas com os cuidados necessários, alerta Junqueira.

Onde encontrar a canela de velho?

A canela de velho pode ser encontrada em feiras de ervas e casas de produtos naturais e fitoterápicos por todo o país. Além disso, ela é uma planta nativa e abundante da região do cerrado, podendo ser encontrada facilmente nesses locais.

Além disso, é possível encontrar os compostos fitoquímicos da erva manipulados em forma de extrato ou cápsulas para serem consumidos diariamente, em uma quantidade de cerca de 500 mg por dia.(1)

A propagação delas é feita apenas através das sementes e a árvore não é uma planta exigente para o cultivo. Contudo, ela deve ficar em contato direto com a luz do sol e precisa se espaço para se desenvolver corretamente.

*Artigo feito com a colaboração da farmacêutica especialista em Plantas Medicinais Adriana Pereira Freire Junqueira, mestre em ciência em saúde com foco em farmacologia das plantas medicinais.

(1) IBEROQUÍMICA. Canela de Velho extrato seco. Tratamento natural para dores articulares, 2018. Disponível em: https://www.iberoquimica.com.br/Arquivos/Insumo/arquivo-094601.pdf. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

(2) ALMEIDA, Fernando Henrique Oliveira de. Revisão Sistemática da Miconia albicans (sw.) Triana: USO TRADICIONAL, ATIVIDADE FARMACOLÓGICA E OUTRAS ATIVIDADES, 2016. Disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/6790/2/Fernando%20Henrique%20Oliveira%20de%20Almeida.pdf. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

(3) VASCONCELOS, Maria Anita L.; ROYO, Vanessa A.; FERREIRA, Daniele S.; CROTTI, Antonio E. Miller; SILVA, Márcio L. Andrade e; CARVALHO, José Carlos T.; BASTOS, Jairo Kenupp e CUNHA, Wilson R. In vivo Analgesic and Anti-Inflammatory Activities of Ursolic Acid and Oleanoic Acid from Miconia albicans (Melastomataceae), 2014. Disponível em: https://www.degruyter.com/view/j/znc.2006.61.issue-7-8/znc-2006-7-803/znc-2006-7-803.xml. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

(4) DANTAS, Yngrid Lara Saldanha; PINHEIRO, Maria Karoline Alves; JÚNIOR, Milton da Cunha Vieira e PESSOA, Cinara Vidal. Miconia Albicans (SW.): Tratamento de doenças inflamatórias articulares, 2017. Disponível em: http://publicacoesacademicas.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/mostracientificafarmacia/article/view/2316. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

(5) CELOTTO, Andréa Carla; NAZARIO, Daniela Zaupa; SPESSOTO, Marcela de Almeida; MARTINS, Carlos Henrique Gomes e CUNHA, Wilson Roberto. Avaliação da atividade antimicrobiana in vitro de extratos brutos de três espécies de Miconia, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-83822003000400010&script=sci_arttext. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

Sobre o autor

Jornalista com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio (Mtb-PE: 6770). Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.