Escrito por em 16/07/2018

Nesse artigo, você vai conhecer 4 chás para tratar os sintomas da enxaqueca e como prepará-los. Veja também outras dicas e recomendações para aliviar e prevenir esse problema. Confira a seguir!

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, existem mais de 150 tipos de dor de cabeça já identificados. Entre elas está a enxaqueca, que é uma das dores mais fortes e incômodas. Estima-se que essa doença neurológica atinge cerca de 15% da população mundial, sendo que só no Brasil são mais de 30 milhões de pessoas sofrendo com esse problema.

Muito além de um simples desconforto, a enxaqueca também interfere na qualidade de vida. A prova disso é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluiu no rol de doenças mais incapacitantes do mundo.

Pesquisas revelam que cerca de 90% das pessoas que sofrem desta patologia têm algum prejuízo no trabalho, nos estudos e até mesmo nas atividades de lazer e na vida sexual.

4 chás para ajudar no tratamento da enxaqueca

Os chás para enxaqueca são recursos naturais e acessíveis na luta contra este problema. Algumas ervas podem ajudar tanto a aliviar os sintomas, como também a prevenir as crises.

Porém, é sempre bom lembrar que o consumo de plantas com propriedades medicinais necessita de muito cuidado e de orientação de um especialista, principalmente nos casos de gestantes, lactantes ou quem toma remédio controlado. Vamos aos chás:

1- Chá de alfazema  (Lavandula officinalis)

O chá de alfazema trata dores e sintomas da enxaqueca

Esse chá é indicado por ser relaxante e analgésico (Foto: depositphotos)

De acordo com a apostila de fitoterapia da USP, o chá de alfazema é um ótimo aliado no combate a estas dores de cabeça. Ele tem propriedades relaxantes, calmantes, antiespasmódicas, analgésicas e antidepressivas.

Para preparar, coloque 1 colher (de sopa) de flores secas de alfazema em 1 xícara de água fervente, abafe e deixe descansar por 5 a 10 minutos. Depois, é só coar e beber de 2 a 3 vezes por dia, enquanto os sintomas da enxaqueca persistirem.

Este chá também pode ser usado como compressa na testa. Para fazer, pegue uma gaze ou toalha limpa, faça de 4 a 6 dobras e molhe-a no chá. Aplique na testa, ainda quente, durante 30 minutos. Sempre que a gaze perder o calor, deve ser novamente embebida e colocada na testa.

Veja também: Chá de alfazema – Indicações e benefícios desta infusão

2- Chá de arruda  (Ruta graveolens)

O chá de arruda trata dores e sintomas da enxaqueca

Durante as crises, é indicado tomar até 3 xícaras desse chá por dia (Foto: depositphotos)

Apesar de ser uma erva muito conhecida e utilizada para espantar o mau olhado, a arruda também é ótima para casos de enxaqueca e o seu chá também é indicado na apostila da USP.

Entre as propriedades da arruda estão sua ação analgésica, anti-inflamatória, calmante, febrífuga, vermífuga e fortificante.

Para preparar, ferva 1 xícara de água e acrescente 1 colher (de sobremesa) das folhas frescas da arruda. Abafe e deixe descansar por 15 a 20 minutos. Depois, coe e beba até 3 xícaras ao dia.

3- Chá de tanaceto (Tanacetum parthenium)

O chá de tanaceto trata dores e sintomas da enxaqueca

Essa planta consegue inibir o hormônio causador da enxaqueca (Foto: depositphotos)

O tanaceto tem sido muito utilizado para prevenir a enxaqueca. Segundo um artigo do curso de nutrição da Universidade do Vale do Itajaí, UNIVALI, sobre o uso da alimentação e de fitoterápicos no tratamento da enxaqueca, o efeito dessa erva se dá pela inibição da liberação plaquetária de serotonina.

A serotonina é um hormônio que está diretamente relacionado com as enxaquecas, já que provoca contrações e dilatações das artérias cerebrais.

Além disso, o tanaceto também relaxa a musculatura, elimina a dor e aumenta o fluxo sanguíneo. Devido a essas atuações, ele tem mostrado bastante eficácia na redução da frequência e intensidade das crises de enxaqueca, incluindo seus outros sintomas, como náuseas e vômitos.

Para preparar, pode-se usar a proporção de 5g das folhas para 300ml de água. Coloque as folhas numa xícara e ferva a água em uma panela. Depois, despeje a água fervente na xícara com as folhas, tampe e deixe repousar por 5 a 10 minutos. Em seguida, é só coar e beber.

É uma bebida com sabor forte e amargo, portanto, pode ser adoçada com mel ou stévia. Esse chá também poder ser usado para fazer compressas na testa.

4- Chá de gengibre (Zingiber officinale)

O chá de gengibre trata dores e sintomas da enxaqueca

O chá de gengibre tem um efeito semelhante ao da aspirina no organismo (Foto: depositphotos)

O gengibre também é utilizado no tratamento da enxaqueca. De acordo com o artigo da UNIVALI, ele possui propriedades anti-inflamatórias, pois bloqueia a síntese da prostaglandina, substância que causa inflamação.

Além disso, o gingerol, um dos componentes do gengibre, se comporta quimicamente semelhante à aspirina, atuando na redução da inflamação e da dor.

A receita é simples: para 500ml de água, rale ou pique 25g de gengibre fresco. Coloque o gengibre na água e deixe ferver a mistura por 15 a 20 minutos. Depois, é só coar e beber. É aconselhado tomar 3 vezes por dia.

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Sintomas da enxaqueca

É importante não confundir a enxaqueca com outros tipos de dores de cabeça. Segundo o neurologista Leandro Teles, a enxaqueca é uma dor latejante, de intensidade forte e que, geralmente, afeta apenas um lado da cabeça.

A duração varia de 4 horas, podendo chegar a 72 horas quando não medicada e, muitas vezes, os sintomas só diminuem com o recolhimento a um quarto escuro.

“A enxaqueca também está associada a outros sintomas, como: náuseas, sensibilidade à luz, ruídos e cheiro fortes, que pioram com as atividades do dia a dia. Alguns pacientes também apresentam alterações visuais ou neurológicas transitórias antes do início da dor”, acrescenta o médico. Essas sensações que precedem a dor são chamadas de aura.

Porém, o diagnóstico não é tão simples, ele é baseado na frequência desses sintomas e numa análise mais completa do paciente.

“Para o diagnóstico preciso, é fundamental a manifestação crônica e recorrente, sem nenhuma evidência de outra doença que possa explicar os sintomas. Não precisa ter todos os critérios acima, mas uma boa parte deles deve estar presente”, explica Leandro.

O que pode causar enxaqueca?

As causas são variadas, mas o neurologista afirma que a enxaqueca tem caráter genético e que fatores externos também podem aumentar as chances de seu aparecimento.

“A genética torna o indivíduo mais sensível a fatores ambientais que levam ao surgimento de uma crise. Os principais fatores do ambiente envolvidos são: stress, distúrbios do sono, oscilação hormonal, alimentação (cafeína, queijos amarelos, embutidos, condimentos, vinho tinto, entre outros), consumo de álcool, ansiedade, depressão, alterações climáticas, etc”, aponta.

A enxaqueca tem caráter genético, mas fatores externos podem influenciar também

As mulheres são três vezes mais predispostas que os homens a desenvolverem a enxaqueca (Foto: depositphotos)

As crises também podem ser desencadeadas por maus hábitos, que estão relacionados com a rotina corrida dos tempos modernos, como: jejum prolongado, abstinência de cafeína, fadiga e desgaste emocional, excesso no consumo de gordura, obesidade e alterações e distúrbios orofaciais.

O sexo feminino é o mais atingido. Leandro revela que apenas 10% dos homens são afetados, enquanto que as mulheres são três vezes mais predispostas; 30% delas, em idade fértil, sofrem com enxaqueca. Já em relação às crianças, os índices chegam a 8%.

“Essa predisposição das mulheres é, em grande parte, explicada pela oscilação do hormônio estrógeno, que ocorre no período fértil. Por essa relação com o ciclo reprodutivo, as mulheres tendem a piorar no período pré-menstrual, no primeiro trimestre da gravidez e melhoram, em alguns casos, após a menopausa”, explica o médico.

Tipos de tratamento

Como explicado anteriormente, a enxaqueca possui uma relação muito grande com o estilo de vida e, por isso, geralmente, o tratamento é realizado de maneira multidisciplinar. Portanto, não é só o neurologista que atua, mas também o nutricionista, o psicólogo e, alguns casos, o fisioterapeuta e o odontologista.

Existem diversas formas de tratamento para a enxaqueca, entre elas estão: medicações, fitoterápicos, neuroestimulador periférico, bloqueios anestésicos, acupuntura, toxina botulínica, etc.

“O tratamento mais efetivo para crises de enxaquecas intensas ou muitos frequentes é a profilaxia. Neste caso, utilizamos medicamentos diariamente, em doses baixas, para evitar que a dor se inicie. A escolha do medicamento é feita baseada no perfil de cada paciente e nos efeitos colaterais. A profilaxia é utilizada pelo período mínimo de 6 meses e pode ser descontinuada a critério médico”, expõe Leandro.

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Cada paciente precisa ter o seu tratamento personalizado, deve-se fazer um planejamento terapêutico em cada consulta.

“Todo paciente precisa conhecer sua predisposição e quais estímulos ambientais ele deve evitar. Essa análise é feita caso a caso, pois nem todo mundo é sensível ao mesmo fator gatilho”, complementa o médico.

Além disso, o profissional diz que a enxaqueca não aparece nos exames. “A enxaqueca é uma disfunção da função do cérebro e de seus vasos, não é uma alteração estrutural fixa. Os exames são, geralmente, todos normais. O diagnóstico é feito pela história clínica e o exame físico e neurológico. O médico pedirá exames apenas em casos selecionados onde o risco de outras doenças estiver aumentado”, reitera.

Outro ponto importante é ter a consciência de que a enxaqueca não tem cura. “Não falamos em cura, falamos em controle dos sintomas. Como é uma predisposição genética, os sintomas podem voltar sempre que o tratamento for interrompido ou mesmo durante o tratamento. A meta é sempre reduzir a intensidade e a frequência da dor, de modo a restabelecer ao máximo a qualidade de vida. Sempre o paciente necessitará de acompanhamento, atenção aos hábitos de vida e terá fases melhores e piores com relação às dores de cabeça”, afirma Leandro.

Cuidado com a automedicação

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, um dos erros mais comuns para tratar essas dores é a automedicação. Quando a frequência das dores é baixa, dois ou menos episódios por mês, isto não acarreta maiores problemas. Porém, quando aparecem mais vezes, a automedicação pode piorar tanto a frequência, quanto a intensidade dos seus sintomas.

“A enxaqueca é um problema crônico e deve ser combatido com medidas de médio a longo prazo. Os analgésicos comuns cortam a dor, mas podem precipitar mais e mais crises, com piora da frequência das dores. Se estiver havendo uso acima de 2 comprimidos por semana de analgésicos, já consideramos abuso e uma intervenção médica mais radical deve ser tomada para solucionar o caso”, alerta Leandro.

Além disso, o uso abusivo destes medicamentos pode transformar uma dor de cabeça esporádica numa cefaleia crônica diária, que é uma das mais difíceis de tratar. A atitude mais correta é procurar um especialista para saber se a dor de cabeça recorrente pode ser diagnosticada como enxaqueca. A partir do diagnóstico, é possível adotar o tratamento preventivo e evitar as crises agudas.

Fique de olho na alimentação

A enxaqueca pode estar relacionada com a sua dieta. De maneira geral, os alimentos que causam enxaqueca são aqueles que estimulam o sistema nervoso central, além dos industrializados ricos em aditivos artificiais.

Portanto, quem tem predisposição, deve evitar consumir: queijos amarelos, chocolate, manteiga, carnes gordas, frituras, leite e derivados, embutidos (salame, presunto, salsicha, etc), pimenta, temperos prontos, frutas cítricas, bebidas alcoólicas, café, chás pretos e refrigerantes.

Entretanto, os alimentos que podem acarretar a dor variam de pessoa para pessoa. Sobre isso, Leandro orienta: “com relação aos alimentos, é fundamental mapear a dor e ver se ela responde a alguma restrição específica. O paciente deve ser acompanhado por um médico de confiança e anotar em um diário a evolução dos sintomas”.

Segundo o artigo das nutricionistas da UNIVALI, o envolvimento da alimentação com a enxaqueca ainda é motivo de debates. Mas, alguns estudos apostam em certos alimentos para ajudar no tratamento.

Dentre eles estão: arroz integral; vegetais cozidos, como brócolis, espinafre, acelga, cenoura; e as frutas. Por serem ricos em magnésio, eles reduzem o espasmo dos vasos arteriais e relaxam a musculatura tensionada. A pesquisa diz que um baixo nível de magnésio cerebral pode estar relacionado com a enxaqueca.

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Recomendações e cuidados

A principal recomendação para quem sofre de enxaqueca é mudar alguns hábitos de vida. Além de manter uma alimentação saudável, os exercícios físicos também podem ajudar a evitar as crises. “O exercício físico regular ajuda no controle da dor, assim como ter um sono adequado e controlar o peso”, reitera o neurologista.

Mas fique atento, exercitar-se durante uma crise de enxaqueca não é recomendado pelos médicos. “Durante uma crise, é fundamental que o paciente busque o repouso, evite lugares muito iluminados ou com ruídos e cheiros fortes. Pode usar compressas geladas na cabeça e técnicas de relaxamento”, indica o profissional.

Diferentemente do que muitos acreditam, viver com este problema não é comum e muito menos normal. Além disso, dor de cabeça constante também pode ser sinal de uma doença neurológica mais complexa, portanto, não tente relevar os sintomas. “Evite a automedicação e mantenha seu médico sempre informado”, reforça Leandro.