Publicado por Redação

Não é de hoje que as pessoas apostam nas propriedades naturais e curativas que os chás podem proporcionar para as pessoas. Seja no processo de tratamento e cura de determinadas doenças, para relaxar, aquecer os dias frios ou simplesmente pelo prazer, a bebida é vista como uma das mais consumidas no mundo, perdendo apenas para a água. Há muito mais para saber sobre os chás do que você imagina!

Dependendo da cultura, o consumo de chá é bastante frequente, já que foi criado um hábito. Hoje, a bebida chama atenção dos mais diferentes paladares graças à variedade de aromas, sabores e benefícios que as ervas medicinais proporcionam para o corpo. A partir do século XIX, países como a Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Canadá, entre outros passaram a consumir ainda mais a bebida.

Como surgiram os chás

Algumas lendas apontam que o chá surgiu na China, em torno do ano de 2.800 a.C., por meio do Imperador Shen Nung. Tentando evitar as grandes epidemias que aconteciam em seu reino, Shen Nung determinou que toda e qualquer água passasse a ser fervida antes do seu consumo. O imperador tinha o hábito de tomar água quente embaixo de uma árvore, quando algumas folhas caíram no recipiente.

O uso indiscriminado dos chás pode representar problemas. Um médico deve ser consultado

Os chás podem ser feitos a partir da infusão, decocção ou maceração (Foto: depositphotos)

Esse ato do acaso acabou agradando o paladar do imperador, que logo começou a fazer outras experiências a partir da utilização de outras espécies da flora. Provavelmente para não esquecer do sabor obtido, o imperador começou a escrever sobre o sabor que sentia e também sobre como ele sentia-se após o consumo. Isso tudo passou a figurar como o primeiro passo para a criação dos chás.

Apesar de muitos acreditarem nas lendas, existem registros históricos escritos que comprovam o uso do primeiro chá por volta do século III a.C. na China. Por lá foi desenvolvido o tratado de Lu Yu – o primeiro tratado sobre chá escrito tecnicamente. Da mesma forma como nas lendas, o país responsável pela introdução dos chás no mundo foi a China.

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Os poderes curativos dos chás

Se for feita uma breve avaliação, vai-se constatar que existe um tipo de chá indicado para os mais variados problemas do mundo, desde o tratamento de algumas doenças. A bebida vem se popularizando através do passar dos anos, tanto que novos usos vêm sendo incorporados no dia a dia das pessoas. Um deles é a eliminação do peso extra.

Mas antes de sair por aí tomando todos os tipos de chás, o farmacêutico, mestre em inovação terapêutica e coordenador da pós-graduação da fitoterapia clínica e esportiva do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE), Leandro Medeiros aconselha que um médico seja consultado. Além de viabilizar o tratamento, o paciente pode evitar possíveis problemas.

Alguns chás podem ser úteis para auxiliar na cura de doenças, além dos incômodos causados pelos sintomas delas. “Chás com ação anti-inflamatória, por exemplo, podem ser recursos paliativos de processos inflamatórios agudos, como a garra-do-diabo e a unha de gato”, exemplifica Medeiros.

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Os chás podem ainda ajudar na recuperação dos sintomas da gripe, como febre, mal-estar e dores pelo corpo. “O alho é o clássico neste sentido. E que pode ser misturado ao suco de limão também, para melhor adesão”, esclarece. Nesse ponto, é importante deixar claro que o chá não vai eliminar o vírus causador da doença, mas sim, ele vai abrandar os sintomas.

A respeito do modo de consumo, o especialista esclarece que o efeito terapêutico dos chás depende de muitos fatores, desde a forma com que são preparados, passando pela qualidade da erva usada, até chegar a hora em que ele é consumido. Essas informações, porém, podem ser conseguidas a partir da consulta do médico, já que cada paciente possui características e necessidades diferentes.

Chás para emagrecimento

Já faz algum tempo que o benefício de algumas ervas estão sendo aplicados no auxílio a perda de peso. Isso se deve ao avanço das pesquisa em relação as propriedades das mesmas. Outro fator que vem impulsionando esse consumo é a exposição que certos influenciadores digitais dão a bebida. Porém, de nada adianta o seu consumo se uma mudança benéfica nos hábitos não for realizada. Nesse ponto as mudanças referem-se à alimentação e a frequência de atividades físicas.

O chá de hibisco, a cavalinha e o chá verde estão entre os mais utilizados para este fim. Para os que preferem explorar as propriedades termogênicas dos chás, Leandro Medeiros sugeriu ainda outros tipo: chá preto, chá vermelho, chá branco, erva mate e canela. Porém alertou que, para obter um efeito significativo, é necessário consumir diariamente por pelo menos três meses. “Emagrecer depende de uma série de conjunto de ações combinadas, incluindo alimentação saudável e exercícios físicos regulares”, salienta.

Modo de preparo dos chás

Preparar um chá pode não ser tão simples como as pessoas pensam. Tomar certos cuidados faz com que as propriedades presentes nas ervas sejam aproveitadas ao máximo. “Normalmente, se faz por infusão, ou seja, quando se coloca água quente sobre a planta. Mas se a parte em questão é mais lenhosa, de difícil extração, o correto é cozinhar, processo que chamamos de decocção. Como exemplo, temos gengibre e canela, pois se usam rizoma e caule”, explica Medeiros.

Se a planta possui compostos que são sensíveis ao calor, ou seja, que evaporam ou degradam, o recomendado é fazer a frio, processo que também é conhecido por maceração. Cada planta possui uma quantidade específica para ser usada no preparo do chá, principalmente se o objetivo da bebida estiver ligado ao lado medicinal da coisa.

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Hoje em dia a facilidade com que as ervas são ofertadas nos supermercados difundiu ainda mais o consumo dos chás. Mas, para aquelas pessoas que resolvem usar a bebida com propósitos curativos, o mais indicado é recorrer a planta fresca, no lugar dos saquinhos industrializados.

Variações da bebida

Muitas pessoas tem preferido o uso de chás gelados, vendidos em lata, como uma alternativa ao refrigerante e outras bebidas industrializadas. Segundo o especialista, as bebidas nessa forma não possuem propriedades terapêuticas e podem não ser uma opção tão saudável.

“Estes tipos de chás na verdade são chamados de chás solúveis. São normalmente à base de água, carboidrato e contêm um teor de extratos de plantas ou plantas secas. Não possuem finalidade de uso terapêutico e são simplesmente para uso recreativo. E por terem carboidrato, podem ter o mesmo efeito ruim do refrigerante”, ponta.

Uso indiscriminado dos chás

O uso indiscriminado dos chás pode representar problemas, principalmente se o paciente segue alguma dieta medicamentosa receitada pelo médico, tem algum tipo de doença grave ou até possui sensibilidade a certas substâncias.

“Apesar de não haver uma regra específica a respeito da quantidade a ser consumida, entendemos como uma a três xícaras por dia o ideal. O interessante é haver também um rodízio de plantas, para evitar que o organismo fique sobrecarregado com o mesmo tipo de substâncias naturais das plantas”, esclarece Medeiros.

Tomar chá ao mesmo tempo que come elimina os benefícios da erva?

O excesso de chá verde, segundo ele, por exemplo, pode aumentar a pressão arterial ou provocar ou agravar gastrites se usado em excesso. Também é preciso estar atento a possíveis interações entre os chás e os medicamentos usados pelo indivíduos. “Tem chás feitos de plantas que podem reduzir o efeito de medicamentos, caso do chá verde e anti-hipertensivos; chás que podem potencializar o efeito de medicamentos, como o caso do hibisco e dos anti-hipertensivos; e chás que não interagem com medicamentos, como o boldo e anti-hipertensivos”, explica.

Os chás e as grávidas

Mulheres grávidas ou que estejam em período de amamentação também devem prestar bastante atenção ao consumo dos chás, já que, dependendo da ação da erva, ela pode provocar o aborto ou causar problemas pontuais nos recém-nascidos.

“Já foi demonstrado que o hibisco interfere sobre a fertilidade em animais (roedores), mas não há estudos que comprovem este mesmo efeito em seres humanos. Outras plantas podem interferir sobre contraceptivos com relevância em seres humanos, observados por ensaios clínicos, como a erva-de-são-joão”, finaliza o especialista.

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