Escrito por em 23/01/2019

Será que o chá de boldo emagrece? As variedades do boldo são muito utilizadas na medicina tradicional brasileira, principalmente para tratar problemas relacionados ao sistema gastrointestinal. Neste artigo você vai descobrir se o chá pode ser útil para quem deseja perder peso.

Em primeiro lugar é preciso saber que, quando se fala em boldo, não é referência a apenas uma, mas a várias espécies de plantas medicinais. Sendo assim, o termo é uma forma genérica de chamar uma série de plantas que possuem ações semelhantes no organismo.

Neste post do Chá benefícios você vai aprender como diferenciar todos os tipos de ‘boldos’ e quais as principais características de cada um. Além disso, vai descobrir quais são os benefícios que o consumo do chá de boldo traz para a saúde, confira.

Quais os benefícios do chá de boldo

O boldo é uma planta popular e muito utilizada no Brasil, principalmente por conta de suas ações contra problemas digestivos e hepáticos. No entanto, de acordo com Adriana Pereira Freire Junqueira, que é farmacêutica especialista em plantas medicinais, é preciso ter cuidado com o consumo.

Folhas de boldo

Essa planta ajuda a acelerar a digestão dos alimentos e a aumentar o trânsito intestinal (Foto: depositphotos)

Isso acontece porque existem várias plantas que são chamadas popularmente de boldo. Todas elas possuem ações semelhantes, podendo ser utilizadas para os mesmos tratamentos. Contudo, elas possuem compostos fitoquímicos diferentes e que podem causar efeitos colaterais diferentes em cada caso.

Mesmo assim, todas elas possuem propriedades medicinais poderosas e que servem para tratar diversos problemas de saúde. Algumas delas são:

  • Melhora o funcionamento do fígado
  • Atua no trato gastrointestinal
  • Atua contra o efeito do álcool
  • É antioxidante, antifúngico, anti-inflamatório e antibacteriano
  • Ação anticonvulsivante
  • Ajuda a prevenir hiperglicemia e hipertensão
  • Antitérmico

Melhora o funcionamento do fígado

Junqueira informa que o chá de boldo atua estimulando a produção de bile, que é um líquido produzido pela vesícula e que ajuda na digestão de gordura. Sendo assim, a infusão não apenas melhora o funcionamento do fígado, mas também os relacionados a vesícula biliar.

Além disso, estudos em laboratórios indicaram que o chá de boldo ajudou na regeneração do fígado de ratos após uma hepatectomia. Ou seja, a retirada parcial do fígado, melhorando tempo de cicatrização e melhora após a cirurgia.(1)

Atua no trato gastrointestinal

Consumir o chá de boldo após as refeições ajuda a estimular a produção dos ácidos responsáveis pela digestão dos alimentos. Isso melhora e acelera o processo de digerir os alimentos e também de todo o funcionamento do aparelho digestivo, informa Adriana Junqueira.

Dessa forma, o consumo do chá de boldo ajuda a aliviar a azia e até mesmo da gastrite, protegendo a mucosa gástrica dos efeitos dos ácidos estomacais e efeitos colaterais de alguns tipos de medicamentos.(2)

Ainda nos benefícios do chá de boldo para o trato gastrointestinal, a infusão é usada no tratamento de gases e também para diminuir os efeitos de intolerâncias a alimentos, informa Junqueira.

Alguns estudos indicam que essas ações são por causa de um composto chamado de forskolin, que está presente nas folhas da erva.(3)

Veja também: Alivie sintomas da azia com chá de boldo brasileiro

Atua contra o efeito do álcool

Junqueira também indica o chá de boldo para diminuir os efeitos do consumo de bebida alcoólica. Isso acontece porque ele proporciona uma melhora do funcionamento do fígado, devido aos compostos fitoquímicos presentes nas ervas.

Sendo assim, beber chá de boldo pode ajudar a diminuir ou evitar a famosa ressaca no dia seguinte a uma bebedeira.

É antioxidante, antifúngico, anti-inflamatório e antibacteriano

Outras qualidades do boldo apontadas por Junqueira são as capacidades antioxidantes, antifúngicas, anti-inflamatórias e antibacterianas.

A ação antioxidante da planta está relacionada a quantidade de flavonoides que atua protegendo o organismo da ação de radicais livres e protege contra diversas doenças.(4)

Essa ação contra os radicais livres também está relacionada a ação anti-inflamatória presente no boldo. Por isso ele pode ser um ótimo substituto para outros tipos de medicamentos, que podem causar efeitos colaterais.(5)

Na planta chamada cientificamente de vernonia condensata, conhecida no Brasil como boldo-baiano, a ação anti-inflamatória é derivada do composto chamado de vernonioides B2, que atua também como um potente analgésico.(6)

Além disso, estudos revelaram que os óleos essenciais presentes nas folhas do boldo inibiram a proliferação de diversas colônias de bactérias.(7)

Ação anticonvulsivante

O extrato de uma das espécies de boldo também teve ação anticonvulsivante em testes feitos em laboratórios. Ele ajudou a proteger o sistema neurológico da ação de uma enzima que pode causar convulsões, distúrbios motores e até mesmo hiperatividade. (8)

Ajuda a prevenir hiperglicemia e hipertensão

A boldina, principal componente do boldo-do-chile, também pode ajudar no tratamento de pessoas que sofrem com diabetes, prevenindo o aumento da glicose e da pressão sanguínea. Principalmente para prevenir problemas renais que podem ser causados pela hiperglicemia e hipertensão.

Durante estudo, o chá de boldo aumentou o volume de urina no grupo que consumiu a substância, ajudando então a descartar o excesso de glicose e pressão no sangue. (9)

Antitérmico

Um estudo realizado em 1994 indicou que o boldo-do-chile também possui efeitos antitérmicos, que atuam em conjunto com a ação anti-inflamatória encontrada na boldina.

Sendo assim, o boldo pode se tornar uma ótima opção aos medicamentos tradicionais, que podem irritar a mucosa gástrica.(5)

Veja também: Chá de boldo aborta durante a gravidez?

Chá de boldo emagrece mesmo?

Sim, o chá de boldo pode ser de grande ajuda para quem está em busca de perder medidas de maneira saudável. De acordo com Adriana Junqueira, isso acontece porque a bebida age estimulando a produção de bile e dos ácidos digestivos.

Dessa maneira, ela ajuda a acelerar a digestão dos alimentos e a aumentar o trânsito intestinal. Tudo isso está relacionado a uma maior perda de de peso.

No entanto, Junqueira alerta que a planta não deve ser consumida por grandes períodos de tempo sem que haja o acompanhamento de um profissional de saúde. Ela destaca também que o consumo dos chás para emagrecer sempre devem estar associados a uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos regulares.

Além do chá, é possível consumir o boldo associado com outras ervas em fórmulas manipuladas, para potencializar o efeito emagrecedor. Junqueira indica a fórmula feita com boldo-do-chile, carqueja, chás verde, branco e vermelho, casca de laranja amarga, fícus, guaçatonga, hibisco e salsaparrilha.

Essa mistura de ervas auxilia no processo de emagrecimento, além de ter efeito detox no organismo e ser útil para pessoas que sofrem com o intestino preso.

Folhas de boldo numa tigela

O boldo-do-chile é mais encontrado seco ou manipulado (Foto: depositphotos)

Como preparar e consumir o chá de boldo?

Adriana Junqueira indica que o melhor método para fazer o chá de boldo é através da maceração das folhas frescas. Sendo assim, a bebida deve ser preparada com duas ou três folhas folhas para cada xícara de água.

Em primeiro lugar é preciso macerar as folhas em uma xícara, até que o sumo com os princípios ativos seja retirado, e acrescentar água filtrada e em temperatura ambiente. A farmacêutica aconselha esperar por cerca de 15 minutos para que todos os princípios ativos sejam retirados e a bebida deve ser consumida durante o dia.

Já para quem só encontrar as folhas secas, como é o caso do boldo-do-chile, o chá deve ser feito através do processo de infusão. Para isso basta levar uma xícara de água ao fogo. Logo após levantar fervura, desligue e acrescente uma colher (de chá) de folhas de boldo e deixe  descansar por 10 minutos. Coe a bebida e consuma ainda quente.

Junqueira indica não deixar a bebida pronta por mais de 24 horas, já que ela perde os benefícios, e sempre tomar cuidado com o consumo, não devendo ultrapassar 30 dias de uso contínuo da erva e sempre consultar um médico.

Tipos de boldo mais comuns no Brasil

Boldo-do-chile

Como já foi dito anteriormente, boldo é um nome popular dado a várias ervas de gêneros diferentes. Um dos mais comuns e conhecidos é o boldo-do-chile, conhecido como Peumus Boldus, que segundo Junqueira é mais encontrado seco ou manipulado, já que não pode ser cultivado no Brasil.

O boldo-do-chile é um arbusto que pode alcançar entre 9 e 12 metros de altura e cresce em grandes altitudes e em locais pedregosos. Entre as suas principais características estão as suas folhas verde-acinzentadas e aromáticas.

Atualmente a planta é cultivada apenas em algumas regiões da Itália, Marrocos e Chile, de onde é originária. Quando plantada no clima brasileiro as folhas não conseguem desenvolver os princípios ativos medicinais necessários. Por isso, toda produção nacional da erva é importada.(10)

Veja tambémComo fazer chá de boldo

Boldo-da-terra

Um outro tipo bastante usado no Brasil é o Plectranthus barbatus, chamado popularmente de boldo-da-terra, boldo-brasileiro ou tapete-de-oxalá. Esse tipo de boldo é perene e pode atingir até dois metros de altura.

Diferentemente da espécie chilena, o boldo-da-terra é encontrado facilmente por todo o Brasil e possui folhas pequenas, serrilhadas e aveludadas, em um tom de verde azulado.(11)

De acordo com Junqueira os principais fitoquímicos dessa erva são encontrados no óleo essencial, que é rico em guaieno e fenchona, barbato, barbasina, cariocal e barbatusol. Todos esses fitoquímicos são eficazes no tratamento de problemas hepáticos, digestivos e gástricos.

Outros tipos menos conhecidos

No Brasil ainda é possível encontrar outros dois tipos de boldo, que também são usados na medicina tradicional.

Um deles é o Vernonia condensata ou boldo-baiano. Essa erva é de origem africana e é bastante cultivada em hortas e jardins de todo o Brasil, como um arbusto de até 5 metros de altura e folhas bem alongadas.(12)

O outro tipo é a Plectranthus neochilus, conhecida popularmente como boldo-rasteiro ou boldo-paraguaio. Essa espécie de boldo é mais cultivada como planta ornamental e alcança apenas 30 centímetros de altura. As folhas dela são inteiras e carnosas e cresce rente ao chão.(13)

Junqueira informa que todas as espécies conhecidas como boldo possuem ações muito semelhantes.

Cuidados e contraindicações

Os diferentes tipos de boldo são considerados plantas seguras para consumo. No entanto, existem algumas contraindicações. Por exemplo, mulheres grávidas, que estejam amamentando e crianças pequenas não devem consumir a infusão.

Isso porque a planta causa espasmos no útero, o que pode acarretar em aborto ou má-formação fetal, principalmente se consumida nos primeiros meses de gestação. Em crianças, a erva pode causar problemas com cólicas.

Pacientes que façam uso de medicamentos que agem no sistema nervoso central também devem evitar o consumo, pois o boldo pode interferir com a ação desses remédios e causar problemas.

*Artigo feito em parceria com a farmacêutica especialista em plantas medicinais e mestre em Ciência em Saúde com foco em farmacologia das plantas medicinais Adriana Pereira Freire Junqueira.

Referências

(1) FIGUEIREDO, Maria Bernadete Galrão de Almeida et al . The effect of the aqueous extract Peumus boldus on the proliferation of hepatocytes and liver function in rats submitted to expanded hepatectomy. Acta Cir. Bras.,  São Paulo ,  v. 31, n. 9, p. 608-614, Sept.  2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-86502016000900608&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 10 de dezembro de  2018.

(2) FRUTUOSO, V.S. et al. Analgesic and anti-ulcerogenic effects of a polar extract from leaves of Vernonia condensata. Plant Medicinal, v.60, n.1, p. 21-25, 1994. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8134411. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(3) ALASBAHI, Rawiya H.; MELZIG, Matthias F. Plectranthus barbatus: A Review of Phytochemistry, Ethnobotanical Uses and Pharmacology –Part 2. Plant Medicinal, v.76, p.753-765, 2010. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/41579309_Plectranthus_barbatus_A_Review_of_Phytochemistry_Ethnobotanical_Uses_and_Pharmacology_-_Part_2. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(4) RUIZ, Ana Lúcia T. G. et al . Farmacologia e Toxicologia de Peumus boldus e Baccharis genistelloides. Rev. bras. farmacogn.,  João Pessoa ,  v. 18, n. 2, p. 295-300, Junho 2008. Disponível em:                  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2008000200025&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(5) Backhouse N, Delporte C, Givernau M, Cassels BK, Valenzuela A, Speisky H 1994. Anti-inflammatory and antipyretic effects of boldine. Agents Actions 42: 114-117. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7879695. Acesso em: 20 de dezembro de 2018.

(6) Valverde AL, Cardoso GL, Pereira NA, Silva AJ, Kuster RM 2001. Analgesic and antiinflammatory activities of vernonioside B2 from Vernonia condensata. Phytother Res 15: 263-264. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11351366. Acesso em: 10 de novembro de 2018.

(7) SANTOS, N.O. et al. Assessing the Chemical Composition and Antimicrobial Activity of Essential Oils from Brazilian Plants—Eremanthus erythropappus (Asteraceae), Plectrantuns barbatus, and P. amboinicus (Lamiaceae). Molecules 2015, v.20, p.8440-8452. Disponível em: https://www.mdpi.com/1420-3049/20/5/8440. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(8) FERNANDES, Luciana Cristina Borges; CÂMARA,     Carlos Campos e SOTO-BLANCO, Benito. Anticonvulsant Activity of Extracts of Plectranthus barbatus Leaves in Mice,” Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, vol. 2012, Article ID 860153, 4 pages, 2012. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/ecam/2012/860153/abs/. Acesso em 10 de dezembro de 2018.

(9) HERNÁNDEZ-SALINAS, Romina et al. Boldine Prevents Renal Alterations in Diabetic Rats. Journal of Diabetes Research, vol. 2013, Article ID 593672, 12 pages, 2013. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/jdr/2013/593672/. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(10) Boldo do Chile – Peumus boldus Molina. Fitoterapia, Prefeitura de Londrina.

(11) COSTA, M.C.C.D. Uso popular e ações farmacológicas de Plectranthus barbatus Andr. (Lamiaceae): revisão dos trabalhos publicados de 1970 a 2003. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.8, n.2, p.81-8, 2006. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjq57uXvpXfAhXJiZAKHUa2Dk4QFjAAegQIBBAC&url=http%3A%2F%2Fwww.sbpmed.org.br%2Fdownload%2Fissn_06%2Frevisao.pdf&usg=AOvVaw2BSMe_-GmgsjDCRQK5QRto. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(12) MONOGRAFIA DA ESPÉCIE Vernonia condensata (“BOLDO-BAIANO”). Ministério da Saúde e Anvisa, 2014. Disponível em:  https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjuktTjnZXfAhXJPpAKHWQhBiEQFjAAegQIAxAC&url=http%3A%2F%2Fportalms.saude.gov.br%2Fimages%2Fpdf%2F2014%2Fnovembro%2F25%2FVers–o-cp-Vernonia-condensata.pdf&usg=AOvVaw0xUQ-w2jO7vgiIeaKVzDoS. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

(13) MEDEIROS, camila Heidrich et al. Enraizamento de plectranthus neochilus em concentrações de húmus líquido. Revista Científica Rural. v. 18, n.1, p.18-28. 2016. Disponível em: http://revista.urcamp.tche.br/index.php/rcr/article/view/89. Acesso em: 10 de dezembro de 2018.

Sobre o autor

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Jornalista com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio (Mtb-PE: 6770). Atualmente atua na área de redação para web, nas áreas de educação, beleza e saúde alternativa. Além da formação no curso superior, possui experiência em produção de vídeo, diagramação de livros e revistas e marketing.